quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Vida, viva, viveu.

A vida pode ter o peso de uma eternidade ou a leveza de uma pena, pode ser como séculos de sofrimento ou horas de diversão. A vida é o que fazemos dela.

Grande parte das pessoas estragam suas vidas fazendo coisas que detestam, passam 30, 40, 50 anos desejando morrer, sem perceberem que já estão mortas. Como mero animais políticos, a necessidade de aceitação permeia pela sociedade, abre-se mão de viver para ser aceito.

A vida não está no sopro de uma respiração ou na hora trabalhada, a vida está em nós, contudo, nós não estamos mais nela. 

A vida está em -quase- tudo, inclusive nesse pequeno texto.

“O dia estava quente, as pessoas estavam frias, nada estava fora do normal. A casa de madeira parecia um paraíso dentre às gaiolas de concreto. O jardim florido, a madeira já seca, o banco quebrado e o velho sentado acima, tudo parecia fazer parte de um quadro, uma obra-prima. Eu estava a observar sem ser observada. É dessa maneira que prefiro.


Foi nesse instante que o velho, com o rosto já cansado e o corpo corroído pelo tempo, levantou-se e posicionou-se ao meu lado, eu pensei em falar, mas os olhares que trocamos bastavam, eram maiores do que qualquer palavra. Então ele se afastou e eu sai.” 



sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Liberdade absoluta.

Se há algo concreto sobre todos nós, é o fato de que todos queremos fugir, fugir de pessoas, fugir de determinadas situações ou até mesmo fugir de nós mesmos. Mas toda e qualquer tipo de fuga se remete à algo maior, se remete à fuga da sociedade.

Desde nosso nascimento somos envenenados com a civilização, com todos seus padrões e aceitações.Criamos então um mundo ilusório, com sorrisos enferrujados e expectativas surreais. Não nos damos conta das condições reais em que vivemos e acreditamos que as coisas vão melhorar. Elas não vão melhorar.

Já não consigo entender a sociedade, nem a hipocrisia camuflada pela pseudo-moral. Não consigo entender porque as pessoas são egoístas e mesquinhas uma com as outras. Não quero fazer parte desta sociedade. Não me sinto como parte disso tudo, mas sim como um vírus, um vírus em um organismo estranho que faz de tudo para eliminar tal criatura inusitada.

Quero fugir, mas mais do que fugir - muito mais- quero viver a liberdade, uma liberdade absoluta.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Pedras.

 Por onde vou encontro pedras. Pequenos fragmentos sem um determinado propósito, todas destinadas a continuarem aonde foram colocadas.

Elas existem em todas as formas e tamanhos, assim como nós. Algumas são mais brilhantes do que outras, porém isso não altera sua essência principal. Pedras machucam. Pessoas machucam.

Por mais brilhante e inocente que possa parecer, ela é tão dura quanto qualquer outra, dura e vazia. Uma pedra sempre será uma pedra assim como um humano sempre será um humano.
A linha que separa pedras de pessoas é tênue, íngreme e até inexistente, eu diria.

Estátuas são auto-retratos da humanidade, pois expressam forma humana, contudo não sentem ou sequer pensam, apenas ocupam um lugar no mundo e esperam paradas pela chegada do tempo. Ele sempre chega.
Gostaria de ser uma pedra, ou talvez, de não ser nada. Estou sem estômago para ser alguma coisa.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Confusão.

Acordo, mas não quero abrir os olhos. Aos poucos meus sentidos vão despertando e meus pensamentos voltam a me atormentar. É preciso um enorme esforço para levantar e encarar o mundo.

Tudo continua exatamente igual, a monotonia é minha única companhia que me acompanha em todos os lugares onde vou.Finalmente levanto, como de costume pego café, sento em qualquer lugar e fico olhando para um ponto insignificante até que meu cérebro retorne à realidade novamente.Tudo continua cinza, o céu e as pessoas, inclusive ti mesmo.

Abro a janela, sinto aqueles pequenos pingos de chuva caindo sobre mim como canivetes que cortam minha pele aos poucos, mas não sinto dor. Deixei de sentir dor faz algum tempo.

Coloco alguma música do Bob Dylan para distrair a mente, mas isso me faz pensar ainda mais. Queria poder não pensar. Tudo é confuso, complicado e obscuro. Sinto um turbilhão querendo sair de dentro de mim, mas não consigo traduzir meus pensamentos em palavras ou sequer algo concreto. Penso, mas não sei no que estou pensando, é como se isso tivesse vida própria.