Acordo, mas não quero abrir os olhos. Aos poucos meus sentidos vão despertando e meus pensamentos voltam a me atormentar. É preciso um enorme esforço para levantar e encarar o mundo.
Tudo continua exatamente igual, a monotonia é minha única companhia que me acompanha em todos os lugares onde vou.Finalmente levanto, como de costume pego café, sento em qualquer lugar e fico olhando para um ponto insignificante até que meu cérebro retorne à realidade novamente.Tudo continua cinza, o céu e as pessoas, inclusive ti mesmo.
Abro a janela, sinto aqueles pequenos pingos de chuva caindo sobre mim como canivetes que cortam minha pele aos poucos, mas não sinto dor. Deixei de sentir dor faz algum tempo.
Coloco alguma música do Bob Dylan para distrair a mente, mas isso me faz pensar ainda mais. Queria poder não pensar. Tudo é confuso, complicado e obscuro. Sinto um turbilhão querendo sair de dentro de mim, mas não consigo traduzir meus pensamentos em palavras ou sequer algo concreto. Penso, mas não sei no que estou pensando, é como se isso tivesse vida própria.